domingo, 24 de agosto de 2008

SEIS HORAS DA MANHÃ

Sua história leio em suas rugas
Você é minha música preferida
Meu beijo cumprimenta sua alma
Sua desorganização me organiza

Depois de meu beijo em suas pálpebras
Bom ver o seu espreguiçar risonho
Depois de abraçar sua sonolência
Quero poder amar teu sonho


COMPACTA ÉPOCA

Escondo-me entre os livros que não leio
E saio com prostitutas primaveris
Auto medicação para dor que veio
E para pessoas cheias de ardis

Enfrentar o egoísmo de um burguês
Que engordando e vendo televisão
Vislumbra um mundo de insensatez
E quer que este mude sem suas mãos

HORÁRIO

Um minuto cambaleia num ponteiro bêbado
As horas lambem meu rosto
O silêncio é ensurdecedor
Os dias seguem noutro ponteiro torto

Uso uma máscara para viver
Meu corpo para atuar
Gestos para fingir
E o cérebro para amar

Quase ninguém acha graça
Num caminhão pipa de cachaça
Mas não reparem a fachada
Minha catedral está pichada