SEIS HORAS DA MANHÃ
Sua história leio em suas rugas
Você é minha música preferida
Meu beijo cumprimenta sua alma
Sua desorganização me organiza
Depois de meu beijo em suas pálpebras
Bom ver o seu espreguiçar risonho
Depois de abraçar sua sonolência
Quero poder amar teu sonho
COMPACTA ÉPOCA
Escondo-me entre os livros que não leio
E saio com prostitutas primaveris
Auto medicação para dor que veio
E para pessoas cheias de ardis
Enfrentar o egoísmo de um burguês
Que engordando e vendo televisão
Vislumbra um mundo de insensatez
E quer que este mude sem suas mãos
HORÁRIO
Um minuto cambaleia num ponteiro bêbado
As horas lambem meu rosto
O silêncio é ensurdecedor
Os dias seguem noutro ponteiro torto
Uso uma máscara para viver
Meu corpo para atuar
Gestos para fingir
E o cérebro para amar
Quase ninguém acha graça
Num caminhão pipa de cachaça
Mas não reparem a fachada
Minha catedral está pichada